"O Bufarinheiro na sua arte"

 

 

Por avenças e desavenças, vai cobrando sem ofensas!

O Bufarinheiro lá vai colhendo algumas informações... outras de sua invenção e lá vai de terra em terra, de taberna em taberna, de café em café espalhando as suas notícias a troco do enche barriga, viciando os lábios ao seu copo de vinho... Diz-se miserável, mas por muitos é considerado um "grande artista" do "Lá vamos sim, cantando e rindo"

Na verdade é um Bufarinheiro, bastante teso, em mesa destaca-se do rico e do pobre... Encenando por vezes peças do seu quotidiano...

Certo dia, numa taberna entrou, com o seu ar disfarçado, nova malandrice engendrou...

Olhou para todos, despontou um ar sisudo, fitando o seu olhar numa mesa de homens afortunados e remediados... Seu olhar fora despertado por tais homens afortunados, outros remediados ao ponto de ser convidado à mesa. Sentou-se e deu luz à sua mente um monólogo de os poder tramar, depressa engendrou:

-Bufarinheiro: Se eu quero comer e beber com estes gajos à mesa, tenho que os fazer sentir, de os aldrabar, ao ponto de eles terem dó e pena de mim...

Sem ouvir o dito por não dito... Um deles questiona o Bufarinheiro:

-Amigo vejo que esconde algo... Está espelhado em seu rosto que é um homem sofredor?

-Sim! Estou a morrer...

A segunda voz da mesa:

-Vejo em seus olhos mendigar... Se tem fome diga... Coma que eu pago!

A terceira voz da mesa:

-Coitado!... Vejam como ele verte as lágrimas e as saboreia!

A quarta voz da mesa:

-Amigo tem sede?

-Estou a morrer...

De novo a quarta voz da mesa:

-Se tem sede!? Peça o vinho e beba que eu pago!

O Bufarinheiro assim foi deliciando a comida e a bebida a seu belo prazer e no final já satisfeito soltou um arroto e disse "Bom proveito". Todos ficaram admirados. Este prometido foi devido com a conta paga ao Bufarinheiro. Finalmente a primeira voz adiantou a sua satisfação com nova questão:

-Amigo... Uma vez já saciado e por nós admirado... Diga-nos se tem vontade de viver ou tem os dias contados como diz "Estou a morrer"?

O Bufarinheiro levantou-se e silenciou por alguns segundos... Olhando no rosto deles disfarçando o que inicialmente tinha engendrado... Expressou humildemente:

-Meus senhores! Meus amigos! Obrigado por esta deliciosa refeição, onde comi e bebi com gratidão a vocês. Desta vos faço valer quando inicialmente disse: "Estou a morrer". De mim para vocês, de vocês para outros, que vos sirva de lição "Estou a morrer"... Sim! a morrer… Mas? De fome!

 

 

Pinhal Dias - Amora - Portugal