"Não soubeste aproveitar"

 

 

 

 

Na verdade tens boa caligrafia,

Imprimes a teu jeito certa filosofia.

O tempo passa por ti a correr,

Escondes esse teu sofrer...

Versas lindos sonhos,

Sempre mal correspondidos...

Ao que vais escrevendo.

Tudo isto tem o seu quê...

Dito pelo leitor que lê...

Afinal de contas queres o quê?

Acordas dizendo:

-Nas entrelinhas tu não sabes ler,

Não decifras o contexto desse entender.

Silenciou...

Escutou na mudança de linha...

Salivando em seco essa sua ladainha.

Sonha no mundo da ignorância...

-Sabes que essa canção já não entoa?!...

A voz da alma:

-Alguma ignorância se perdoa!

Sacudindo a poeira das lamúrias...

Confesso o que foi aproveitado,

De lamúrias já não entendo...

Aqui nada foi premeditado,

Deixaste ao luar o segredo...

Não soubeste aproveitar.

 

 

 

 

Pinhal Dias - Amora - Portugal